Textos
de Apoio
Texto 01 - Subsídios ao Eixo
- Redes
Em
busca do conceito de “Redes”
Fábio Deboni
Aceita por todos como fato presente em nossas vidas, a atuação em rede é
algo de que hoje muito se fala. Entretanto, pouco se compreende em termos
concretos, o que isto significa. Fala-se em rede de transportes, rede de ensino
público, rede de abastecimento, rede elétrica, rede de televisão, rede de lojas;
sem que percebamos, utilizamos o termo redes para os mais diversos fins. E é
impressionante como se observa uma consistência no emprego do termo para uma
multiplicidade de aplicações (LIPNACK & STAMPS, 1992, p.
18).
Redes são estruturas abertas capazes de expandir de forma ilimitada,
integrando novos nós desde que consigam comunicar-se dentro da rede, ou seja,
desde que compartilhem os mesmo códigos de comunicação (por exemplo, valores ou
objetivos de desempenho). Uma estrutura social com base em redes é um sistema
aberto, altamente dinâmico suscetível de inovação sem ameaças ao seu
equilíbrio(...). Mas a morfologia da rede também é uma fonte de drástica
reorganização das relações de poder (CASTELLS, 2000,
p.498).
Para melhor compreensão deste conceito, é preciso visualizar e
compreender algumas de suas características.
Principais
Características do Trabalho em
Redes
|
Características |
O
que significa |
Horizontalidade |
Premissa
essencial para uma rede, todos têm a mesmo poder de
decisão. |
|
Multiliderança |
Não
há chefes na rede, mas sim muitos líderes. |
|
Objetivos
compartilhados |
Não
há redes se seus membros não compartilharem os mesmos objetivos e
valores. |
|
Livre
intercomunicação horizontal |
O
fluxo de informações é livre entre os membros da rede. Não há
censura. |
|
Co-responsabilidade |
Todos
são co-responsáveis pelo funcionamento da rede, o que requer iniciativa
individual. |
Democracia |
A
participação na rede se dá de forma democrática, pautada pela
transparência nas relações. |
Solidariedade |
As
redes se contrapõem à cultura do “levar vantagem” e do “guardar pra
si”. |
|
Autonomia
e empoderamento dos seus membros |
Organizar-se
em rede pressupõe a busca continuada pela emancipação de seus membros,
sendo portanto um operação de natureza
política. |
Livre
entrada e saída |
A
rede está sempre aberta à entrada e à saída de participantes.
|
Conceitos
associados ao “organizar-se em
Rede”
Quando falamos em Redes, imediatamente trazemos conceitos associados, que
fazem parte do repertório desse tipo de organização. Redes são usualmente
definidas como um sistema de nós (ou nodos) e elos, termos utilizados para se
descrever redes físicas, como a telefônica.
Enquanto fonte ou receptora de informações, uma pessoa é um nó. Enquanto
portadora de informações, fazendo uma conexão entre nós, uma pessoa é um elo. A
essência do trabalho em redes reside no relacionamento pessoa-pessoa (LIPNACK
& STAMPS, 1992, p. 10).
Além destes dois novos conceitos apresentados (nós e elos), há pelo menos
mais dois termos associados consideravelmente inerentes ao trabalho em redes:
facilitação e hospedagem.
Para que a rede funcione com certo dinamismo, é necessária a figura do
facilitador, ou animador. Cada rede pode ter de um a muitos facilitadores ou
animadores, os quais não detêm poderes diferenciados dos demais membros da rede,
mas apenas apresentam atributos específicos que os qualificam facilitadores.
Eles não coordenam ou comandam a rede, apenas criam condições propícias ao fluxo
de informações. Para tanto, necessitam ser reconhecidos pelos participantes da
rede como tal.
Com relação ao segundo termo, hospedagem, a rede necessita de
facilitadores que por sua vez precisam de alguma estrutura de “suporte” à rede.
Como a rede não apresenta (nem deve apresentar) natureza jurídica, trata-se de
uma forma de organização que congrega horizontalmente diversas instituições e
pessoas. Assim como a rede necessita do papel de facilitadores, ela também
necessita ser “hospedada” por alguma ou algumas instituições. Por exemplo, a
Rede Brasileira de Educação Ambiental – REBEA[1]
– atualmente está hospedada no Instituto Ecoar para a Cidadania, uma ONG de SP.
Cabe ressaltar que tanto a facilitação quanto à hospedagem de redes é um
processo também dinâmico, está sempre mudando conforme as entradas e as saídas
de participantes e de acordo com o próprio funcionamento da
rede.
Em geral a organização em redes pressupõe compartilhar alguns objetivos
em comum:
-
intercâmbio de informações;
-
contribuir para formação de seus membros;
-
criar laços de solidariedade;
-
realizar ações em conjunto.
Podemos, no entanto, estar dispostos em rede, sem operar
Como
se organizar em
Rede?
O primeiro passo para quem deseja organizar-se em rede passa pela
necessidade de identificação de objetivos comuns, para que cada membro possa
efetivamente sentir-se pertencente à
rede. A noção de pertencimento está
diretamente vinculada ao conceito de participação. Participar pressupõe
sentir-se parte, perceber-se pertence ao grupo, à rede,
etc.
Vencido este primeiro passo, é necessária a definição de facilitadores
para a rede e onde a mesma estará hospedada. Como vimos anteriormente, a
facilitação ou animação é característica básica para o “organizar-se em rede”,
juntamente com a hospedagem da rede
O
trabalho de INOJOSA, 1999 nos aponta algumas tipologias de redes. É possível,
segundo ela, “distinguir alguns tipos,
segundo as relações entre os parceiros e segundo o foco de atuação” (p.
3)
|
Rede
Subordinada |
Rede
Tutelada |
Rede
Autônoma |
|
·
Entes
são parte de uma organização ·
Existe
uma interdependência de objetivos ·
A
articulação depende da vontade dos entes ·
Há
apenas um lócus de controle |
·
Entes
têm autonomia mas articulam-se sob a égide de uma
organização ·
Rede
fica dependente da persistência de propósitos do ente
mobilizador ·
Ente
mobilizador tende a ficar como lócus de
controle |
·
Entes
são autônomos e articulam-se voluntariamente ·
Pressupõe
uma idéia-força mobilizadora ·
A
rede é aberta e trabalha por pactuação ·
As
identidades dos parceiros são preservadas e é construída uma identidade da
rede ·
O
controle é compartilhado |
Fonte:
INOJOSA, 1999, p. 4-5.
|
Redes
de Mercado |
Redes
de Compromisso Social |
|
·
São
redes articuladas em função da produção e/ou apropriação de bens e
serviços ·
Visam
a complementaridade ou a pontencialização dos parceiros face ao
mercado ·
As
relações são perspassadas pelos interesses do mercado, e podem oscilar
entre cooperação e competição ·
A
relação de parceira das redes de mercado tende a ser de subordinação ou
tutela. |
·
São
redes que têm como foco questões sociais ·
Visam
complementar a ação do Estado ou suprir a sua ausência no equacionamento
de problemas sociais complexos, que põem em risco o equilíbrio
social ·
As
relações nascem e se nutrem de uma visão comum sobre a sociedade ou sobre
determinada questão social e da necessidade de uma ação
solidária ·
Demanda
estratégias de mobilização constante das parcerias e de
reedição. |
Fonte:
INOJOSA, 1999, p. 6.
WHITAKER (1993) também propõe uma tipologia de redes, mais simplificada.
As redes podem interligar somente pessoas; somente entidades; e ambos.
Também podem ser de diferentes
tamanhos – de uma equipe que trabalhe em rede a uma rede de bairro ou de sala de
aula, até uma rede internacional. Podem existir igualmente redes de redes. E
dentro de uma rede podem se formar sub redes, com objetivos específicos” (op.
cit., p. 8).
Podemos identificar algumas barreiras comuns à articulação de redes
organizacionais. Estas dificuldades podem ser classificadas em três tipos de
limitações:
1)
Barreiras
Políticas: quanto mais uma rede for coesa e dotada de um propósito claro e
unificador, mais preparada ela estará para lidar com problemas de relacionamento
entre seus integrantes. É preciso que a rede se organize como uma equipe, o que
é bem diferente de um agrupamento.
2)
Barreiras
Técnicas: estão relacionadas às estratégias de comunicação entre os
participantes da rede. É comum as redes optarem pelo uso de sofisticadas
plataformas de comunicação baseadas na informática (internet) e os participantes
menos familiarizados com estas novas tecnologias acabam enfrentando algumas
dificuldades ao utilizá-las.
3)
Barreiras
Internas: o próprio processo de organização da rede pressupõe certas
dificuldades, a começar pela própria questão conceitual. Muitos participantes
têm certa dificuldade em entender a dinâmica de funcionamento de uma rede, o que
pode ser decorrente de uma cultura baseada em estruturas hierarquizadas e pouco
flexíveis, nas quais estamos inseridos desde a infância. Além desta dificuldade,
há a necessidade de clareza dos papéis de cada participante na rede bem como dos
objetivos da mesma.
AYRES,
B. Redes organizacionais no
terceiro setor – um olhar sobre suas articulações. Rio de Janeiro, 2001., 15
p.
CASTELLS,
M. A sociedade
FACHINELLI,
A.C. et al. “A prática da gestão de redes: uma
necessidade estratégica da Sociedade da Informação” In: Revista Com Ciência,
2000.
INOJOSA,
R.M. “Redes de compromisso social”
In: Revista de Administração Pública, Rio de Janeiro : FGV, 33 (5), set/out
1999, 115-141 p.
LIPNACK,
J. & STAMPS, J. Networks: Redes
de Conexões.
MACHADO, A.L.I. et all Las redes
PRADO,
J.L.A. A naturalização da rede em
Castells. www.rbc.org.br
WHITAKER,
F. Rede: uma estrutura
alternativa de organização. CEDAC/
Ano 2/ no 3, 1993, 12 p.
www.rits.org.br - Rede de Informações para o
Terceiro Setor
www.rebea.org.br - Rede Brasileira de
Educação Ambiental
www.repea.org.br - Rede Paulista de Educação
Ambiental
www.univag.com.br/remtea - Rede
Mato-grossense de Educação Ambiental
www.redeceas.esalq.usp.br - Rede
Brasileira de Centros de Educação Ambiental
www.redeaguape.org.br - Rede Pantanal
de Educação Ambiental
Prof.
Aziz Nacib Ab'Saber
Educação
Ambiental é uma coisa mais séria do que geralmente tem sido apresentada, em
nosso meio. É um apelo à seriedade do conhecimento. É uma busca de propostas
corretas de aplicação de ciências. Uma "coisa" que se identifica com um
processo. Um processo que envolve um vigoroso esforço de recuperação de
realidades nada simples. Uma ação, entre missionária e utópica, destinada a
reformular comportamentos humanos e recriar valores perdidos ou jamais
alcançados. Um esforço permanente na reflexão sobre o destino do homem - de
todos os homens - face à harmonia das condições naturais e o futuro do planeta
"vivente", por excelência. Um processo de Educação que garante um compromisso
com o futuro. Envolvendo uma nova filosofia de vida. E, um novo ideário
comportamental, tanto em âmbito individual, quanto na escala
coletiva.
Para atingir seus objetivos, a
Educação Ambiental - aquela verdadeira e incorruptível - exige uma sensibilidade
especial para as coisas da natureza e a melhoria da estrutura da sociedade.
Logo, carece de um certo conhecimento articulado sobre a região que serve de
suporte, para homens-habitantes, homens-produtores, e homens integrados em
certas condicionantes sócio econômicas. É impossível consolidar um corolário de
Educação Ambiental exclusivamente em atendendo à escala planetária ou à escala
nacional. Pelo contrário, ele envolve todas as escalas. Começa
A
Educação Ambiental obriga-nos a um entendimento claro sobre a projeção dos
homens em espaços terrestres, herdados da natureza e da história. O lugar de
cada um nos espaços remanescentes de uma natureza modificada; o lugar de cada um
nos espaços sociais criados pelas condicionantes sócio -econômicas. E, tempo
suficiente, para pensar na harmonia ou nos desajustes entre as formas de
ocupação dos solos rurais, face à posição, dinâmica e tendência de crescimento
das cidades. Os organismos urbanos estão sempre invadindo espaços rurais,
produtores de alimentos e matérias primas: nunca se ouviu falar de espaços
urbanos invadidos por atividades agrárias! Quando se estabelece a cornubação em
uma rede de cidades, a emenda das manchas urbanas implica em um desaparecimento
completo da produtividade agrícola regional.
A
preocupação básica da Educação Ambiental é a de garantir um meio ambiente sadio
pra todos os homens e tipos de vida existentes na face da Terra. Pretende-se
ajudar a preservação da biodiversidade in situ: re-introduzir vegetação onde for
possível; sequestrar o gás carbônico liberado para a atmosfera nos últimos 100
anos da Revolução Industrial; multiplicar os bancos de germoplasma necessários à
produção de alimentos, e, à introdução ou re-introdução de biomassas de
interesse ambiental, social e econômico. Resguardar a biodiversidade animal,
evitando interferências maiores nos nichos e habitats que propiciaram condições
para a permanência de diferentes espécies. Enfim, evitar extinções provocadas
por ações predatórias, tão inconseqüentes quanto muitas vezes
desnecessárias.
Garantir
a existência de um ambiente sadio para toda a humanidade implica em uma
conscientização realmente abrangente, que só pode Ter ressonância e maturidade
através da Educação Ambiental. Um processo educativo que envolve ciência e
ética, e uma renovada filosofia de vida, dotados de atributos e valores
essenciais: capacidade de escrever sua própria história; informar-se
permanentemente do que está acontecendo em todo o mundo; criar culturas e
recuperar valores essenciais da condição humana. E, acima de tudo, refletir
sobre o futuro do planeta.
Para
alcançar seus objetivos maiores, a Educação Ambiental defende uma somatória de sanidades. Sanidade do ar. Sanidade
das águas. Sanidade das coberturas vegetais remanescentes. Sanidade do solo e do
subsolo. Uma maior harmonia e menos desigualdades no interior da sociedade. A
possibilidade de uma habitação adequada e sadia. Um transporte coletivo menos
sofrido (e menos poluente). Condições razoáveis no ambiente de trabalho
“intramuros”. Nas fábricas e oficinas. Um ambiente que ajude a prolongar a vida
e o bem estar de todos os membros da sociedade: crianças, velhos e adultos. Não
há que pagar um dinheiro extra a título de salário de insalubridade, quando se
sabe que a continuidade desta atividade, em condições ambientais tão precárias,
é o caminho para a doença, o envelhecimento precoce, a morte. Há que exigir,
sim, um ambiente o mais sadio possível, no interior de todas as instalações
industriais. É imoral e desumano pagar um pouco mais para que pessoas "esteios
de família" vivam menos.
Enfim,
Educação Ambiental exige método, noção de escala; boa percepção das relações
entre tempo, espaço e conjunturas; conhecimentos sobre diferentes realidades
regionais. E, sobretudo, códigos de linguagem adaptada às faixas etárias do
alunado. É um processo que, necessariamente, revitaliza a pesquisa de campo, por
parte dos professores e dos alunos. Implica em um exercício permanente de
interdisciplinaridade - a prévia da transdisciplinaridade. Faz balançar o gasto
coreto das velhas disciplinas, eliminando teorizações elitistas e aperfeiçoando
novas linhas teóricas, em bases mais sólidas e de entendimento mais amplo. Nesse
sentido, a Educação Ambiental, bem conduzida, colabora efetivamente para
aperfeiçoar um processo educativo maior, sinalizado para a conquista ou
reconquista da cidadania. É a nova "ponte" entre a sabedoria popular e a
consciência técnico-científica. Um artifício e uma escadaria para se escapar da
impotência e infertilidade da torre de marfim, e esgrimir no céu aberto do
cotidiano.
Não
há lugar para se conduzir, no processo educativo, - dito ambiental -, tentando
impingir noções genéricas para habitantes da beira de um lago ou das margens de
um rio ou "furo" da Amazônia, e estendendo-se para os moradores dos sertões
interiores ou das coxilhas do Rio Grande do Sul. Ou, tentar utilizar material
documentário preparado para alunos residentes em áreas de solos férteis e rios
perenes, projetando-o para meninos ou adolescentes residentes em rústicos
sertões do Nordeste Seco, em que os rios correm por
http://www.rebea.org.br/
Rede Brasileira de Educação
Ambiental
http://www.agenda21.org.br/
Portal da Agenda 21
http://www.geocities.com/cream_br/ Centro de Referencia
http://www.repea.org.br/
Rede Paulista de Educação Ambiental
www.redeambiente.org.br/
Rede Ambiente
Marcos
Sorrentino e Rachel Trajber
“Cuidado
com o meio ambiente” pode ter um triplo sentido:
-
o urbano e
do “chapeuzinho vermelho” : cuidado com o lobo mau, com as aranhas e cobras,
etc.
-
o Parque
Nacional, espaço protegido, intocável, do proibido, não
toque...
-
o “saber
cuidar”, tratar bem, presente nos discursos e textos do Leonardo Boff e
certamente nas intenções dos proponentes do tema desta
palestra.
Com este
terceiro sentido nos identificamos, não apenas intelectualmente, pelos
conhecimentos advindos da ciência ambiental (aqui há uma polêmica entre os que
falam em ciências ambientais – direito, biologia, sociologia, antropologia,
geografia, história, etc., qualificados pelo adjetivo ambiental – e aqueles que
compreendem o ambiente como uma totalidade complexa e a necessidade de uma
ciência ambiental unificada que procura compreendê-lo em sua totalidade) mas
também por uma história de
vida/vivência onde a nossa sobrevivência advém diretamente do saber cuidar do
meio, saber sobreviver dele e com ele.
Nesse
sentido, cuidar é mais que um ato, é uma atitude que implica responsabilidade e
envolvimento. É um compromisso ético que emerge do fato de não somente
existirmos como indivíduos, mas co-existirmos em sociedade; de não apenas
vivermos, mas convivermos com outros seres no mesmo ambiente. Essa
interdependência torna cada um de nós responsável por sustentar a
vida.
O
Brasil é a nossa casa, por isso merece cuidado todo especial. O Brasil é o
espaço do mundo onde vivemos, nos desenvolvemos, aprendemos e organizamos nosso
habitat.
OO
O primeiro
ponto a ser destacado para sabermos cuidar do meio ambiente é amar e reverenciar a Vida. É com o
ambiente conviver, nele se integrar e a ele se entregar. Nos entregarmos de
corpo e alma a esta causa, primeiro absorvendo-a brincando, em seguida
trabalhando, observando e conhecendo. A maneira humana de defender o meio
ambiente é estudando-o procurando criar políticas públicas que estimulem mais e
mais pessoas a se engajarem nesta luta que é de toda a
humanidade.
Em termos
de amor e de relações com o meio ambiente, não vale ter medo, temor, receio de
se entregar. Deve haver reverência, respeito ao outro, reconhecimento das
diferenças e da diversidade, mas acima de tudo, deve haver amor, dedicação,
carinho, tolerância, espera, contemplação, busca sincera de compreensão das
diferenças e semelhanças... Como diz o poeta “eu sou eu, você é você e vejo
flores em você...”.
É preciso
despertar/aprofundar em nossas crianças, jovens, adultos e idosos, o Amor à
Vida, e ao outro, em todas as suas peculiaridades e
diversidade.
O segundo
ponto, para chamar a atenção, é para não reduzirmos o meio ambiente à natureza.
Meio ambiente é natureza, com todas as suas formas de vida em seus distintos
sistemas naturais, mas é também os espaços construídos, as cidades e o modo de
organização dos humanos. Tem um autor (Ignacy Sachs) que fala em cinco dimensões
ambientais em meio às quais vamos construindo a nossa existência/experiências –
a primeira delas é a do nosso próprio corpo – respiração, alimentação, formas de
sentir, entender e expressar o mundo através ou com o ferramental disponível
nesta “carcaça”; a segunda, é a
nossa subjetividade, nossas emoções, a alma e o espírito, enfim, o “lócus” que
nos conecta a algo que está além do corpo e que cada um nomeia da forma que a
sua cultura lhe permite nomear ou sentir; a terceira dimensão é a do meio físico
onde vivemos, desde os espaços e paisagens cotidianos até a Terra com os seus
climas e sistemas naturais como um todo; a quarta, é a das relações
inter-pessoais, o nosso diálogo e relações com aqueles com os quais convivemos –
a família, as tribos de convivencialidade, os grupos de trabalho e estudos,
etc.; e por fim, a dimensão das nossas relações com a sociedade e seus modos de
organização e produção – as leis e hierarquias, as convenções e classes sociais,
os sistemas de tomada de decisão, as nações, o mercado, o estado,
etc.
O terceiro
e último ponto , no sentido de cada pessoa (e do Brasil) Cuidar do meio
ambiente, é o da Participação Emancipatória, voltada a criar autonomia na
interdependência, compromisso, responsabilidade com o destino comum, nosso e de
nossos descendentes, de toda a nossa espécie e de todas as espécies.
Participação que desenvolve o sentimento de pertença. O Tratado de Educação
Ambiental para Sociedades Sustentáveis e Responsabilidade Global, escrito na Rio
92 no Fórum das ONGs e Movimentos Sociais, já falava sobre
isto.
Aqui vale
a pena enfatizarmos a importância de levarmos para as redes de ensino e para as
escolas e acima de tudo, para dentro da sala de aula, aquilo que estamos
procurando implementar no Ministério do Meio Ambiente:
Transversalidade
dos conteúdos e nos métodos e técnicas de construção de conhecimentos (partir da
complexidade e da criticidade e chegar à didática dos estudos do meio e do
ensino por solução de problemas); Controle Social/transparência/participação (só
aprenderemos a controlar os governos e o mercado, se aprendermos a controlar o
nosso próprio aprendizado cotidiano, participando das tomadas de decisão e com
elas se comprometendo); Orientação para a Sustentabilidade, só construiremos
sociedades sustentáveis se desde a sala de aula cultivarmos os princípios da
sustentabilidade em suas distintas dimensões.
Para isto,
inúmeras experiências em todo país estão contribuindo. Realizadas por educadores
e educadoras nos mais diversos tipos de trabalhos, elas terão no MMA acolhida e
apoio. Hoje já podemos disponibilizar o SIBEA, que é uma rede informatizada de
informações sobre educação ambiental, que vem sendo construído junto com a Rede
Brasileira de EA e com outras Redes e iniciativas.
A
Conferência Nacional Infanto-juvenil pelo Meio Ambiente pretende trazer para o
debate da Educação Ambiental que cuidar do meio ambiente significa lutarmos por
qualidade de vida, por um país com inclusão na diversidade e gestão democrática,
da sala de aula às redes de ensino. Exercício cotidiano de participação e de
criticidade – em uma perspectiva que vai além da tradicional, sempre vinculada
às ciências naturais, mas que incorpora a dimensão da
política.
Esquema
das idéias:
|
Conceitos
de cuidar da natureza |
Leva
a uma postura de |
Sentido
profundo a ser trabalhado pela Educação |
|
1.
Urbano – tomar cuidado com os supostos perigos da natureza (tipo
Chapeuzinho Vermelho, floresta cheia de perigos, lobo
mau...) |
Intolerância,
medo, de desejo de subjugar a natureza. As
pessoas não toleram conviver com seres diferentes. Algumas matam tubarões
a pauladas (como aconteceu no Rio de Janeiro recentemente), outras queimam
índios... |
Com-paixão Conhecer
para respeitar e amar |
|
2.
Intocável – a natureza precisa ser protegida dos seres humanos, se faz
espaços naturais segregados, proibidos, longe de tudo - se separa a
natureza da vida cotidiana das pessoas. |
Distanciamento
espacial, temporal. A relação com a natureza fica fria, amparada nas
leis. |
Con-viver |
|
3.
Cuidar, no sentido do Leonardo Boff = um sentido de participação política,
nas diversas formas de convivialidade entre os seres humanos e entre estes
e a natureza. |
Respeito,
amor. ECO = casa, envolve fazermos um pacto com todas as nossas “casas”:
o
Nosso
corpo o
Nossa
subjetividade (espírito / sentimentos) o
Nosso
meio ambiente (no sentido amplo) o
Nossas
relações interpessoais o
Nossa
comunidade / sociedade / escola o
Nossa
Terra. |
Com-promisso Co-responsabilidade |
O que faz
uma escola sustentável?
o
Todas as
dimensões de sustentabilidade: ambiental, econômica, cultural, social, espacial
e política.
o
As
diretrizes do MMA.
Texto base
escrito por Marcos Sorrentino em maio/2003 para subsidiar Ministra Marina Silva
para Congresso da UNDIME, modificado por Rachel Trajber em julho /2003 para
subsidiar as Oficinas de Conferência a serem trabalhadas com grupos de
multiplicadores em todos os estados.
Trata-se
de fazermos com que esses conceitos se multipliquem e enraízem como um rizoma,
na forma com que a grama se espalha no solo: em todas as direções, se
ramificando, sempre ligada à terra e aos seus
galhos.
www.mma.gov.br
Ministério
do Meio Ambiente
http://www.ibama.gov.br/
Ibama
Conferência
Nacional do Meio Ambiente: